7/03/2005

Being There*




Não há mais nada. Tu estás do lado destes sons, desta recordação difusa de ti. Estavas lá eu sei, mas não és os sítios, os dias, as coisas nem os sons. Estávas lá, como te dizia, de alguma forma suave, mas é tudo.

Recordo aqueles dois dias naquela cidade à beira praia, do bar onde nos beijámos pela primeira vez [para mim, foi apenas nesse bar que te beijei pela primeira vez] e deste som, desta música. Dizem-me que eu sou as coisas e não as pessoas, que sou os sítios e não as pessoas. Lembro-me de tudo nesse fim-de-semana. Estavas lá mas não me recordo do teu nome.
São capazes de ter razão. Eu sou apenas coisas e sítios.

Texto e imagem de [JOS]

*Tord Gustavsen Trio (4:11) in 'The Ground'

8 comments:

Mendes Ferreira said...

Belíssimo!

Elisa said...

Poderoso. E não, não me parece que ele seja só as coisas e os sítios. Mas... não sei.

D. said...

Ser-se coisa e sítio parece-me quase perfeito.

A que outras excentricidades haveremos de aspirar?

____
Deniz

Anonymous said...

Caríssimo Deniz
(note que o caríssimo é uma mera formalidade)
Vem a Gerência inquirir se acaso terá pensado nas suas próprias (e lamentavelmente forçadamente conhecidas) excentricidades.
Em caso negativo, gostaria a Gerência arrogantemente de lhe sugerir que se dedique a um período de reflexão não inferior a (digamos) quatro anos.
A Gerência já embriagada do sossego que a reflexão do caríssimo D. deixará na blogosfera, subscreve-se
Atentamente 'jazzada'

(assinaturas ilegíveis porque sim)

Em anexo a este ofício, pode vossa excelência encontrar um saquinho de vírgulas, para distribuir por onde muito bem entenda).

C.S.A. said...

Beijar pela primeira vez ao som de «Being There»... como será? Mas «foi apenas nesse bar que te beijei pela primeira vez» é ainda mais delicioso!

D. said...

Por uma vez, Elisa não percebeu.
Eu falava de geometria.

Quanto à arrogância - enfim, talvez não tanto -, a coisa era mais com C.S.A., que continua a presentear-nos generosamente com posts lindíssimos no Legendas, mas insiste, no pórtico, com aquela espúria e descuidada tradução de Foucault.

E apague, apague, que isto é um lugar público. Decente.

Como diria Sandra Costa, lá está ele a descentralizar.
Não há paciência. Fogo?!

__
DC

D. said...

PS

E ainda bem que fez o parêntesis. Não imagina como aquele Caríssimo me entusiasmara...

D.

Anonymous said...

Caro Deniz
A Gerência lamenta não ter seguido o conselho generosamente gratuito, anteriormente dado.
A Gerência embriagada de jazz pode comprovar a decência deste lugar e convidar a sair todos aqueles que a prejudicarem, como bem compreenderá.
A Gerência deste lugar decente que vossa excelência acha por bem frequentar, lamenta o uso do mesmo para sugestões que devem fazer-se em sede própria.
A Gerência está bem disposta. é do jazz e por isso não higienizará este blog, apagando comentários.
Atentamente

(assinaturas ilegíveis)

Ps - qualquer disposição expressa nesta missiva poderá ser revogada. Haja ânimo. Mesmo não havendo motivo.

1:46 AM