Showing posts with label Maya Kulenovic. Show all posts
Showing posts with label Maya Kulenovic. Show all posts

2/18/2008

One*












Maya Kulenovic - Primordial


Uma só palavra, dizem, poderá salvar-nos.

Pedes-me doze e talvez eu não esteja pronta para tamanha salvação


estrela girassol silêncio

chuva árvore

inverno casa

pedra poema pássaro

noite boca


* Louis Sclavis Quintet (2:38) in 'Rouge'

12/11/2006

Trista*















Maya Kulenovic - Death Mask

À morte pertencemos. Desde sempre. Somos todos da raça dos mortos, disse Ruy Belo.
Devíamos viver por camadas. É o que me dizes. Para escapar à morte. A essa morte que nos custa mais. A morte dos outros. A morte sem máscaras. Ou explicação. A morte crua. A profunda escuridão. Devíamos viver por camadas. Aqueles que se conhecessem, se falassem ou se amassem morreriam todos juntos. De uma vez só. Seria mais humana. Essa ausência do vazio que enche tudo quando nos morre alguém que amamos. Porque o que nos custa, o que nos entranha esta tristeza insustentável, não é pertencemos nós à morte. Mas é ficarmos vivos, carregando a morte dos outros.

* Tomasz Stanko Quartet (4:44) in 'Lontano'

7/20/2006

Strange Fruit*














Maya Kulenovic - Great War**

«Esvaziámos os lugares da matança, retirando-lhes o peso dos nossos mortos»
E os nossos mortos serão sempre mais pesados que os mortos dos outros. Por isso esvaziamos os lugares da guerra do seu peso. Em troca deixamos frutos estranhos, carne queimada e uma colheita de horrores. E não temos vergonha. Continuamos a não ter vergonha. O vento varre-a juntamente com os corpos de centenas de homens, mulheres e crianças que tiveram a pouca sorte de não serem 'nossos'.

* Billie Holiday (3:05) in 'Lady Sings the Blues: The Billie Holiday Story, Vol. 4'

«Southern trees bear a strange fruit,
Blood on the leaves and blood at the root,
Black body swinging in the Southern breeze,
Strange fruit hanging from the poplar trees.

Pastoral scene of the gallant South,
The bulging eyes and the twisted mouth,
Scent of magnolia sweet and fresh,
And the sudden smell of burning flesh!

Here is a fruit for the crows to pluck,
For the rain to gather, for the wind to suck,
For the sun to rot, for a tree to drop,

Here is a strange and bitter crop» **

**Outros contextos mas, no essencial, pouco diversos.