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3/08/2008

Song For Ania*




















Joan Miró - Tres Mujeres



As mulheres são como nós. Ou. Talvez. Ainda. Não.


*Tomasz Stanko Quartet (7:44) in 'Lontano'

12/11/2006

Trista*















Maya Kulenovic - Death Mask

À morte pertencemos. Desde sempre. Somos todos da raça dos mortos, disse Ruy Belo.
Devíamos viver por camadas. É o que me dizes. Para escapar à morte. A essa morte que nos custa mais. A morte dos outros. A morte sem máscaras. Ou explicação. A morte crua. A profunda escuridão. Devíamos viver por camadas. Aqueles que se conhecessem, se falassem ou se amassem morreriam todos juntos. De uma vez só. Seria mais humana. Essa ausência do vazio que enche tudo quando nos morre alguém que amamos. Porque o que nos custa, o que nos entranha esta tristeza insustentável, não é pertencemos nós à morte. Mas é ficarmos vivos, carregando a morte dos outros.

* Tomasz Stanko Quartet (4:44) in 'Lontano'

4/20/2006

Soul of Things*










René Magritte - The Lovers

Não te vejo. Amor. Eu não te oiço. Estou cega. E quero seguir-te. Sem que as coisas tenham peso. Apenas a substância dos sentidos. Sem tempo. E quero seguir-te. Guiada apenas pelo toque dos teus dedos. Não te vejo. Não te oiço. Às vezes não existo. Outros homens cruzam os seus olhares com o meu. Mas eu estou cega. E não os oiço. E não os sigo. E era fácil. Ser guiada por outros dedos que não os teus. Porque. Às vezes. Quero. Ver. E ouvir. E sentir o que não pode ser visto ou dito. Quero seguir. Te. E não há guias. Às vezes há este deserto. Amor. E não te vejo. E não te ouço. E. Nem sequer. Sinto. Que estás aqui. Às vezes há este deserto. Dissolvente.

* Tomasz Stanko Quartet (5:41) in 'Soul of Things'

1/16/2006

Song For Sarah*












É nas tuas mãos que encontro o que não perdi. E o que não peço. Como se as minhas fossem. Estou suspensa nas tuas mãos. Como nas minhas. Estou suspensa na noite. E grito. Até ficar com os nós dos dedos brancos. Grito na noite. Suspensa nas tuas mãos onde (me) encontro. Sem estar perdida. E, todavia, achada que estou. É das tuas mãos. Que eu preciso. Agora.

* Tomasz Stanko Quartet (5:33) in ‘Suspended Night’