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4/07/2008

Sommeil Caillou (Epilogue)*















Anselm Kiefer - Broken Flowers and Grass

Acordo com as mãos cheias de sangue. Não sei quem me morreu. Ou quem matei. Quem. O que. Se partiu.

* Henri Texier (2:03) in 'Remparts D'Argile'

2/05/2008

Strange Place For Snow*

















Anselm Kiefer - Everyone Stands Under His Own Dome of Heaven


Creio ainda em coisas. em que (já) não devia crer. não creio (já) em coisas. que devia (ainda) querer.

* Esbjörn Svensson Trio (6:40) in ' Strange Place for Snow'

1/04/2008

Vent Poussière (à L.S.)*























Anselm Kiefer - Abendland

Os mistérios do vento. A melancolia da estrada. O pó. As estações da memória. As rugas do tempo. As silenciosas montanhas. As árvores muito nuas. As tuas mãos contra o esquecimento. A suave saudade dos teus olhos. O teu riso muito longe. As florestas densas. O brilho de todas as estrelas mortas. As gotas paradas da chuva. A nostalgia da infância. O fumo. A lua cheia e lenta. A cor das minhas ideias. A obscuridade vagarosa. O deus enorme dos desertos. Os comboios que atravessam as noites. Podia ser um país. Esta poeira. Eu.

* Henri Texier (5:07) in 'Remparts d'Argile'

11/11/2007

Exit Music (for a film)*




















Anselm Kiefer - Mann im Wald

Eu não devia viver dentro de uma canção de amor. Dessas de onde apetece fugir. Onde as notas são como facas. Dessas canções. De amor. Onde as notas são lágrimas afiadas. A vazar-nos os olhos. A rasgar-nos a carne. A queimar-nos a pele. Eu devia viver dentro de uma canção de amor. Onde o teu sorriso não estivesse. A lembrar-me para sempre. Onde era o amor. Onde eram as notas. Mansas. Como as árvores centenárias. Eu não devia viver dentro de uma canção de amor. Dessas onde todas as árvores estão mortas. Ou a arder. E de qualquer maneira me empurram. Ao morrer. Para fora da floresta.

* Brad Mehldau Trio (4:23) in ‘The Art of the Trio, Volume 3: Songs’

10/21/2007

Movimentos Invisíveis*



















Anselm Kiefer - Die Sieben Himmlspaläste

Os lugares mais longe são os que ficam dentro de nós. Não os conhecemos nunca. A menos que. Uma leve pena. Desenhe um mapa. Ou só nos estremeça.

* Bernardo Sassetti, Rui Rosa, Yuri Daniel (3:52) in 'Alice'

7/20/2007

Brilliant Corners*















Anselm Kiefer - Zweistromland

O Jazz nasceu à beira de um abismo. O corpo em situação extrema a descobrir a alma. Não a alma pendurada numa parede do museu teológico, mas a psique aprisionada nas masmorras da santa sé da moral que se liberta no grito que o homem lança no limiar do abismo. O grito é o orgasmo: o Jazz. É neste sentido que se pode falar de um erotismo do Jazz: a escalada de psique para eros. Escalada, apenas. Nunca o ponto de repouso da chegada. Por isso o Jazz é tensão, estirada, dor agudíssima, os ingredientes que elaboram o orgasmo em suspensão. Por isso o Jazz não é terminal, recusa-se a um fim, continua mesmo quando acaba. É fome de amor que se alimenta da insatisfação. Por isso no Jazz se abre o leque dos sons com que a lost generation ventilou o seu rosto afogueado pelo último Verão do mundo. Poesia sem letras, magia sem esperança, assembleia de bacantes na festa do descobridor da vinha, limando as unhas para arrancar olhos aos usurpadores do sonho. Porque no Jazz o que importa, acima de tudo, é não acordar!

[Natália Correia - tirado daqui]


*Thelonious Monk (7:47) in 'Brilliant Corners'

5/17/2007

Clues*















Anselm Kiefer - Eridanus

Isto é uma não resposta. Que eu não estou para ser provocada**. Tudo desconheço sobre essa arte aparentemente fácil, mas verdadeiramente difícil, de sair de si e deixar aos outros qualquer coisa. Deixamos vestígios. Aqui e ali. Espalhados para que alguém os agarre e os tome como seus. Um dos meus, bem podia ser este (mas provavelmente são outros quaisquer): o que é preciso é dar lugar aos pássaros nas ruas da cidade (Ruy Belo).

E se é para passar adiante, passo, comme d'habitude ao Luís d' A Natureza do Mal, à Sandra do Tubo de Ensaio, ao Henrique do Insónia e gostava de ver que vestígios é que acha que pode já deixar um miúdo de 22 anos e por isso passo também ao Paulo do Paraíso na Outra Esquina.

* Patricia Barber (4:58) in 'Verse'

** Um "meme" é um " gene cultural" que envolve algum conhecimento que passas a outros contemporâneos ou a teus descendentes. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma"

2/21/2007

Woman At Point Zero*














Anselm Kiefer - Melancholia

Só isto é verdade
O epicentro dos grandes terramotos
encontra-se na extrema mansidão
com que caminhas
a uma certa luz da tarde
e alheio
destróis os desertos
que levei anos
a esboçar.

(publicado antes, sem banda sonora, em Um Dia A Menos Para A Morte )

* Dave Douglas (7:42) in 'Witness'

2/16/2007

Noite (parte II)*














Anselm Kiefer - The Milky Way

Eu ia dizer hoje. Já não sei o quê. Talvez uma corrente. Dupla. Mas que, do mesmo modo, prende. Mas já não sei a quê. Eu ia dizer hoje. Noite. Nada me salva da noite. A noite é onde?

* Bernardo Sassetti; Rui Rosa; Yuri Daniel (2:00) in 'Alice'

9/14/2006

Inquietude*











Anselm Kiefer - Cette obscure clarté qui tombe des étoiles

Sabemos dos truques das estrelas. Carregamo-los dentro. Como intermitentes brilhos. De mágoa. E felicidade. Intermitentes. Sabemos que a luz das estrelas pode ser obscura. E que é por baixo da luz que, tantas vezes, encontramos os lugares da mais profunda escuridão. Esses lugares de tão intensa claridade. Que nos fazem fechar os olhos e querer. Desaparecer. Deixar de ser. Deixar de sentir. Ficar como antes. Com uma claridade vulgar. Uma vulgar escuridão. Não ter. Não ver. Não perceber. Sabemos. Dos truques das estrelas. Dos seus intermitentes brilhos. Da sua instável condição. Morrer primeiro para que tudo possa ser claro. Dessa inquietude profunda. De haver. Para além de um escuro céu sereno. O brilho.

* Bernardo Sassetti (3:54) in 'Indigo' - Disco 1

9/06/2006

Solitude*













Anselm Kiefer - Innenraum (Interior)


Um quarto. Vazio. Eu. Encontrei a minha casa. Longe demais. Longe. Haverá sempre música bastante. Não sei que histórias conte. A solidão levar-nos-á para sempre. Aos lugares que conhecemos. Já. Um quarto. Vazio. Na minha longínqua casa. Agora encontrada. Sobre o vazio. Dentro. Haverá sempre música. E uma voz. Longe. A minha casa.

*Abdullah Ibrahim (0:16) in 'African Magic'

6/05/2006

Que Pasa?*















Anselm Kiefer - Falling Stars


Nada. Não se passa nada. Absolutamente nada. Excepto só me apetecer estar dentro deste quadro de Kiefer. Deitada na erva. A olhar para o brilho das estrelas (o que me falta a mim) e não fazer nada. Absolutamente nada. Talvez pensar em ti. Perguntar às estrelas: Que pasa? E elas vão responder-me que te sentes assim feliz como eu. Por nada se passar. Por estar tudo bem. Por estares noutro sítio qualquer. Deitado noutra erva. A contemplar o brilho das estrelas. Não outras. Mas exactamente. Absolutamente as mesmas. Não se passa rigorosamente nada. E no entanto. É como se vivessemos a absoluta comunhão de tudo. Ainda. Na contemplação das estrelas. Na felicidade sossegada que é nada se passar. De podermos. Ainda. Embora cada um por seus caminhos. Deitarmo-nos na erva. E olhar para o brilho das estrelas. Com a cara toda.

* Horace Silver (7:47) in 'Song For My Father'

4/06/2006

Someone To Watch Over Me*









Anselm Kiefer - girassois

Olha. Vem ouvir(me). Estava perdida num campo de girassois. Para sempre. Ouve(me). Não sei como me encontraste. Mas vieste. A realidade. Deixou de ser importante. E tu vieste. Num campo de girassois. Quem anda perdido. Raramente se encontra. Demasiadas distracções. Ou assim. Quem anda perdido. Raramente encontra. Quer dizer. Precisa que o encontrem. De tanto (não) andar à procura. Ou assim. E tu chegaste. Não sei de onde vieste. Deixou de ser importante. Tudo. Qualquer coisa. Desapareceu. Porque quando vieste. Para me encontrar. Devolveste-me o que eu desconhecia. De mim. Esta vontade irracional. De me fechar numa caixa. Ou assim. Só. Para que tomes. Conta. De mim.

* Chet Baker (3:03) in 'My Funny Valentine'

3/29/2006

Things Behind The Sun*













Anselm Kiefer - Sol invictus

Não me digam que a beleza não magoa. Sobretudo. Não me digam que a beleza não mata. Não me digam que as palavras ao construirem as pontes. Os nós. As cadeias. As teias. Não desconstroem. Também. Tudo. Não me digam que tudo pode ser dito. Sobretudo. Não me digam que a beleza pode ser dita. Sempre. Não me digam que há coisas para além do sol. Quando as que se encontram aquém dele. Até onde o olhar e os demais sentidos podem alcançar. São. Insuportávelmente. Belas. Mesmo depois de queimadas. Não me digam que o amor não magoa. Que o amor não mata. Que a construção do próprio amor. Não destrói. Sempre. Qualquer coisa. Mesmo que o amor seja absoluto. Absolutamente verdadeiro. Não me digam que as pétalas dos girassóis sempre estarão vivas. E que a beleza é isso. Porque. Há demasiada e demasiadamente violenta beleza num girassol desfeito. Para cá. Do sol. Ou das restantes. Estrelas. Há demasiada beleza. Uma insuportável beleza. Neste amor. Que me destrói.

* Brad Mehldau (4:37) in 'Live in Tokyo'

11/29/2005

Right Before*










Anselm Kiefer - Red Sea

escrevo. te. com letras pequenas. sempre. para não fazer muito barulho. escrevo-te enquanto sinto um mar. a invadir as minhas mãos. da cor que não gostas. mas é vermelho o mar. que sinto. mesmo que não gostes da cor. não há outra cor para o que sinto. este mar. tanto. invadir. me. as mãos. escrevo. te. baixinho. para que não acordes. como na música. não grito. não falo. não te olho. escrevo. te. apenas. antes. antes. de. apenas. gosto de te saber aí. por onde andas. nas ondas. gosto de saber que vou contigo. mesmo com a errada cor que assumem as pessoas que entram, talvez tarde, talvez cedo. demais. ou na exacta hora. gosto de saber que fazes essas perguntas. e gosto de saber que sabes que eu também faço as perguntas. essas. mesmo antes de. escrevo baixinho. não sou capaz de te dizer nada. alto. ou nada. mesmo. não sou capaz de pensar em ti sem ser baixinho. e devagar. como a invasão do mar. quando está calmo. mas avança. desta ou de qualquer outra. cor. as mãos não pensam. tenho medo de te acordar do teu próprio mar. tenho medo de pensar com qualquer outra coisa que não. sejam. as mãos. não sei se serão as mesmas. as mãos. e tenho medo. como eu. sabes. conheces esta sensação de antes de. antes que. antes que aconteça. antes que seja. podia ficar assim. para sempre. com as ondas. a invadir-me. as mãos. e depois deixá-las tomar conta do resto. a boca. os olhos. o nariz. os braços. as pernas. o sexo. os cabelos. quantas vezes te deixaste ir. assim. quantas. e no entanto. é sempre a primeira vez que o mar te invade. assim. docemente. longamente. mesmo antes. de... escrevo-te. baixinho. devagar. como quem dorme. como dormimos. mesmo depois. de. tenho medo. que já estejas acordado. e seja tudo. verdade. até o mar. até a cor do mar.

* David Binney (9:09) in 'Bastion of Sanity'