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12/02/2008

Jump for Joy*















Henri Matisse - Joie de Vivre

... pelo dardo do Dançamos no Mundo.


Sarah Vaughan (1:54) in 'The Roulette Years'

9/01/2006

Misty*














Gustav Klimt - The Kiss

O desejo de uma boca não é grave. Mas é aguda esta pontada de espanto com que te vejo advinhar-me os passos. Os passos interiores. À tua volta. Vou fumar. Vou fumar, para que me passe esta grave vontade de que continues advinhando os meus lábios. Imaginando com os dedos a forma como te respondem quando perguntas se acredito que sentes exactamente o que eu penso. O desejo de uma boca não é. Grave. Mas eu sinto uma dor. Aguda. Pelas tuas mãos. Ausentes.

*Sarah Vaughan and Quincy Jones (2:59) in 'Misty'

3/24/2006

In a Sentimental Mood*













Aqui tens uma das minhas orelhas. Uma orelha perfeita. Para a tua voz. Ou até para o que, sem ela, escuto de ti. Aqui tens a minha pequeníssima orelha para tudo o que quiseres que eu ouça. E para tudo o que nunca me deixarás ouvir. Aqui tens a minha orelha pequenina para todas as tuas constelações de sons. Coisa mais improvável esta. Estar sentimental. Estar disponível para, com os sentidos todos, ficar quieta enquanto a tempestade se anuncia. Para permanecer. Assim. Urgentemente.

*John Coltrane (4:17) in 'Coltrane For Lovers'

Também acho que se impõe a versão da Sarah Vaughan (4:03) in 'After Hours'

8/01/2005

Everytime We Say Goodbye*



Tenho dificuldade em dizer. Adeus. Ou outra palavra qualquer que seja o anúncio de uma despedida. Mesmo que a ausência dure só uns minutos. Umas horas. Ou uns anos. Ou todo o tempo que nos resta. Mesmo que a despedida seja uma promessa de que amanhã nos encontraremos. Ou encontraremos seja o que for de que agora nos despedimos. Em cada despedida há alguém que morre. Tantas coisas que ficaram por dizer. Mesmo pequenas. Mesmo pouco importantes. Em cada despedida há um universo paralelo de possibilidades de se ser e de se estar se, só por acaso, a despedida não o fosse. Qualquer coisa que atraiçoa a celebração do reencontro. Qualquer coisa que mata as palavras. Que nos deixa em silêncio. Sozinhos.
Sozinhos.
Mas não no silêncio e na solidão que procuramos. Mas na solidão e no silêncio que não queremos encontrar e nos colocam mais longe uns dos outros. E, sobretudo, de nós e do que fomos nós com os outros. Dizer adeus é a evidência de que se esteve em algum lugar e temos que ir embora. E quando vamos embora deixamos de estar e de ser. Não somos. Não estamos.

* Nina Simone (3:27) in ‘Forbidden Fruit’.

E porque são incontornáveis, violentamente femininas, estas vozes e palavras e despedidas, escolho também as versões de:
Betty Carter (5:48 ) in 'Whatever Happened to Love'


Sarah Vaughan (2:23) in 'After Hours'


Carmen McRae (3:00) in 'Carmen McRae Sings Great American Songwriters'



E porque também se diz adeus, sem palavras, escolho a versão de
Charlie Haden (4:18) in ‘Haunted Heart’