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5/05/2006

Chaos*













M.C. Escher - Illusion, an Ordered Confusion
Sossega. Te. Tudo tende para o caos. Até o que sentes. Ou. Principalmente. O que sentes. Não há calma. Mas sossega. Te. Sabes. Que. Quem é. Já foi. Quem foi. Volta a ser. Quem não é ou foi. Há-de ser. O que sentes talvez nem sequer já seja. Perdeu a importância. Não foi? Porque nem sabes o que sentes. Agora. Falas-me de raiva. E eu atiro-te com a paciência. Falas-me de banalização. Eu atiro-te com o sentido da palavra amor. Pouco banal. O meu sentido. O que tu não conheces. Tudo isto. Vais ver. Já passa. Em breve. Sossegarás. E serás o que antes eras. Não sei o quê. Sei lá o quê. O que eras. Antes. Deste caos. Para onde nos atirei. Estou cansada. Também. De que o amor se esgote. Assim. De que o amor acabe. Assim. De que as pessoas procurem. Apenas. Sossegar. Se. Desculpa. Me. Se fui única. E sou já tão vulgar.

* Wayne Shorter (6:54) in 'The All Seeing Eye'

2/24/2006

Speak No Evil*













Paula Rego - No Deserto

Passar pelas pessoas sem lhes causar dano. Não usar as palavras erradas. Nunca. Não causar dano. Não dizer nada que magoe. Ofenda. Doa. Ou mesmo. Toque. Ser invisível. Estar no meio de coisa nenhuma e ser invisível. Não existir. Não desejar mal. Ou bem. Não desejar. Não fazer mal. Não fazer bem. Não fazer nada. Estar sem ser vista. Sentir sem ser sentida. Não pressentir. Não anunciar. Não usar palavras. Calar-me. Estar no deserto. Só. Ajoelhar-me. Pedir que não me façam mal. Ou bem. Ou nada. Não querer que queiram nada de mim. Não querer nada. De ninguém. Nunca.

* Wayne Shorter (8:21) in 'Footprints: The Life and Music of Wayne Shorter' ou in 'Speak No Evil'