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4/20/2009

Instead*





















Joan Miró - Oro del Azur


Ensaiar a outra vida...
em vez de...

* Madeleine Peyroux (5:13) in 'Bare Bones'

9/23/2008

Mediterranean Sundance*

















Joan Miró - Cantic del Sol, Plate 27

Se não fosse o Outono. A cor das folhas. Vermelho. Amarelo. Castanho forte. O cheiro da chuva. Os raios que atravessam o céu, rasgando a calma. Podia dizer-se que é triste a despedida do sol.


* Al Di Meola (5:12) in 'Elegant Gipsy'

3/08/2008

Song For Ania*




















Joan Miró - Tres Mujeres



As mulheres são como nós. Ou. Talvez. Ainda. Não.


*Tomasz Stanko Quartet (7:44) in 'Lontano'

12/19/2007

White Christmas*




















Joan Miró - Estrella Azul



Desejo a todos e a todas umas óptimas festas.
Que 2008 seja um ano cheio. De sucessos pessoais e profissionais. De paz. De alegria. De bom humor. E da beleza que ainda anda pelo mundo.
Um abraço



* Louis Armstrong (2:39) in '20th Century Masters - The Christmas Collection: The Best of Louis Armstrong'

8/01/2007

Summer Night*





















Joan Miró - Summer





Não gosto do Verão. Do quente intenso dos dias. Do ar difícil de respirar. Mas gosto do Verão. Da vastidão dos dias. Das profundas estrelas saídas das noites.


* Keith Jarrett, Jack DeJohnette, Gary Peacock (7:38) in 'Tokyo'96'

5/11/2007

Be My Love*




















Joan Miró - Dancer II


Podia ser um pedido. Até uma súplica. Mas não é isso. Ou nada é. A não ser. O reconhecimento da incrível beleza que há nas coisas. Incluindo no amor. Ou. Sobretudo. No amor. Podia ser um pedido. Mas nada é. Porque nada existe para além da beleza que existe. Nas coisas. Sobretudo. Nas coisas. Do amor.

* Keith Jarrett (5:38) in ' The Melody at Night, With You'

1/06/2007

Belonging*


















Joan Miró - Character

Um dos meus quatro nomes é Maria. E sou como toda a gente. Duas mãos brancas. Os dedos muito finos. Dois olhos. Uma boca. Um nariz. Além disso, dois braços. Duas pernas algo desiguais. Mas grossas. Seios. Ancas. Orelhas muito pequenas. Sobrancelhas e pestanas. Um umbigo. Sinais nas costas. E sou como toda a gente. Não tenho nada para dar, mas fora isso, penso ter tudo. Não tenho alma, mas fora isso, sei sentir o que me ensinaram. E mesmo o que nunca aprendi. E acontece mesmo assim. Não tenho nada, excepto um corpo que não tem para onde ir, mas fora isso faz tudo o que os corpos fazem. Alimenta-se. Defeca. Dói de quando em vez. Inspira. Expira. Fica muito quieto. Agita-se. Sobressalta-se. E volta a ficar quieto. Não tenho nada, excepto o que penso. E asseguro que não é grande coisa. Um dos meus quatro nomes é Maria. E isso é absolutamente irrelevante.

* Jan Garbarek, Keith Jarrett, Palle Danielsson, Jon Christensen (2:15) in 'Belonging'

10/24/2006

Bird Calls*

















Joan Miró - Mujer, Pajaro y Estrella


Há demasiadas coisas que (se) explicam (com) um sorriso. Gostar de gaivotas. Ter as gaivotas rasantes às janelas. Mesmo as imaginárias. Ter o ouvido atento. À escuta. Do sorriso dos pássaros. Reconhecer as palavras-hélices que circulam entre nós. E que há palavras imensas que esperam por nós**. Há demasiadas coisas que só um sorriso pode explicar. O apelo dos pássaros. A abundante cor no que se sente. A cor que cria a luz. A cor que impele a rapariga que gosta de gaivotas ao dever falar. E a nós a ouvir. Atentamente.

* Charles Mingus (6:17) in 'Mingus Ah Um'

** Mário Cesariny - You are Welcome to Elsinore

9/23/2006

Fingerprints*













Joan Miró - Personnage Blessé

Atravessei a madrugada. Os olhos grandes. A água. Os dedos. Atravessei a madrugada como quem grita, sendo mudo. A noite imensa. A escuridão de quem é cego. E depois a luz. O dia. Então dormi como os animais dormem. De um sono cego. De um sono mudo. E acordei como acordam os animais esquecidos. Sem olhos. E sem boca. Inexistente. A dor como uma faca. O sangue. Um rio. E odiei como odeiam os animais feridos. Com a força cega. Com o sangue quente. Com os dentes todos. Com as patas levantadas. E odiei como os animais odeiam. E gritei como os mudos gritam. Girassol. Vento. Estrela. Sangue. Noite. Mãos. E nunca mais vi o mundo. Pela primeira vez. E nunca mais ouvi a música. Pela primeira vez. E nunca mais toquei. Pela primeira vez. E nunca mais acabo de morrer.

* Chick Corea (5:20) in 'Past, Present & Futures'

8/10/2006

Eu sei que vou te amar*













Juan Miró - Cifras y constelaciones en amor con una mujer

Ho incontrato un pianista che suona molto bene ed a cui piacciono le stelle...

..por isso roubei-lhe esta música. Que ele parece tocar apenas com o céu cheio de estrelas por companhia.

Grazie per tutta la tua musica, F.

*Quoyle (6:06) Round About Midnight

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
A cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
A cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida

(Vinicius de Moraes/Tom Jobim)

6/29/2006

Anything Goes*










Juan Miró -Mujer soñando la evásion


Hoje este blog faz um ano. Este blog é sobretudo o jazz. É azul. Mas nem sempre é triste. Às vezes é. Como a vida e tudo mais. Está tudo azul. Ouve-se jazz. Um deus passeia-se comigo pela brisa das tardes**. E aqui dentro há uma espécie de calma reconciliação com tudo o que fui, sou, serei.

* Brad Mehldau Trio (7:07) in 'Anything Goes'

** Descaradamente baseada no título do livro de Mário de Carvalho - Um Deus Passeando na Brisa da Tarde

3/22/2006

If You Could See Me Now*











Joan Miró - Blue

Acendo um cigarro. Estou disponível para o amor. O fumo espalha-se como fino nevoeiro após um dia muito quente. Nas terras que ficam perto da água. Estou disponível para qualquer coisa. Agora que já não estás. Que já não acendes no meu o teu cigarro. Encontro-me disponível para tudo. Disponível para a tristeza. Talvez. De ainda estar disponível para (te) amar. Não estando tu já aqui. Disponível para qualquer coisa que substitua. O cigarro. A tristeza. Tu. Disponível para a impossibilidade de te reencontrar na esquina do costume, afastando o cabelo com a ponta dos dedos. Segurando o cigarro na outra mão. Semicerrando os olhos para me veres melhor. Disponível para a improbabilidade de um encontro com alguém com quem, mesmo se vagamente, te pareças.

* Sheila Jordan (4:30) in 'Portrait of Sheila Jordan'