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Salvador Dalí - El Enigma del Deseocomo dizer o silêncio**
* Bill Evans Trio (4:42) in 'Bill Evans plays for lovers'
**título de um poema de Natália Correia

Salvador Dalí - DestinoPois que por vezes me parece que ando perdida numa espécie de twilight zone da qual me é impossível sair. Uma espécie de vida surreal. Como um desenho animado. Esta vida que vivo não pode, com frequência acho, ser a minha vida de facto. Há demasiadas personagens surreais. Algumas nem existem. Ou talvez existam. Mas precisem de ser reinventadas.
* Duke Ellington (2:09) in 'Duke Ellington 1969: All-Star White House Tribute'
Salvador Dalí - Face of the WarPosso chamar-me, hoje, Hassan, ter oito anos e estar morto. Amanhã. Ou mesmo agora. Não ver já a luz da manhã. Amanhã. Ouvir, hoje, apenas os gemidos dos que morrem ao meu lado, debaixo das pedras. Posso hoje chamar-me Hassan e ser apenas uma criança. Estar morto. Agora mesmo. Ou amanhã. Quem se importa que eu tenha oito anos, me chame Hassan e amanhã já não tenha olhos para ver a luz da manhã? * Marty Ehrlich Sextet (9:56) in 'News on the Rail '
Salvador Dalí - Paysage aux Papillons«Bad, mad and dangerous to know». Gostei tanto desta definição, Carlos, que te dedico este sorriso da Billie. Enquanto eu mesma sorrio. As borboletas estão só na paisagem. Que é seguramente um local adequado às borboletas, quando se anuncia o verão. * Billie Holiday (2:54) in 'The Lady Sings'
Salvador Dalí - The Persistence of MemoryDas palavras sobram mãos vazias. Olhos desfeitos no assombro. Boca suspensa no espanto. Das palavras sobra a sombra. Persistente. É possível. Porque tudo é possível. Escrever intensamente. Mesmo sem mãos. Sem olhos. Sem boca. É possível escrever. Intensamente. Mesmo sem sangue nas veias. Das palavras sobra a sombra. Fria. Um instante apenas. Em que nos esquecemos. Da memória. Talvez. Propositadamente. Para fingir. Ou acreditar. Tanto faz. Que além das palavras havia os gestos. E os olhos. E a boca. E as mãos. E o sangue. Das palavras assombrosas sobra a sombra. Uma sombra que se espalha. À medida que o sangue volta a ser o nosso. Uma sombra que se estende numa inundação de mágoa. Mas cresce. Mesmo a tempo. Do reencontro com a memória. Dos gestos lá atrás. De tal modo intensos. Que as palavras não lhes beberam o sangue. Mesmo a tempo. Recupera-se a memória. Mesmo a tempo. Respiramos. Mesmo a tempo. O sangue corre. Os olhos desassombram-se. A boca encontra o beijo. Os gestos voltam às mãos. Mesmo a tempo. Encontramos a memória. Mesmo a tempo. Perder-nos-emos. Outra vez.* Sonny Rollins (3:55) in 'The Freelance Years: The Complete Riverside and Contemporary Recordings' - Disco 3
Salvador Dalí - Melancholy AtomicAfinal. Nenhuma palavra. Poderá salvar. O mundo. Ou outra coisa qualquer. Afinal essa palavra não me salvou do frio. Afinal eu amo-te. E afinal. A palavra. Essa. Já não tem sentido. Afinal. O deserto é azul. Afinal. Que te pode interessar tudo isto agora? *Abdullah Ibrahim (o tempo que demorou a tua mão na minha) in 'African Magic'