9/14/2006

Inquietude*











Anselm Kiefer - Cette obscure clarté qui tombe des étoiles

Sabemos dos truques das estrelas. Carregamo-los dentro. Como intermitentes brilhos. De mágoa. E felicidade. Intermitentes. Sabemos que a luz das estrelas pode ser obscura. E que é por baixo da luz que, tantas vezes, encontramos os lugares da mais profunda escuridão. Esses lugares de tão intensa claridade. Que nos fazem fechar os olhos e querer. Desaparecer. Deixar de ser. Deixar de sentir. Ficar como antes. Com uma claridade vulgar. Uma vulgar escuridão. Não ter. Não ver. Não perceber. Sabemos. Dos truques das estrelas. Dos seus intermitentes brilhos. Da sua instável condição. Morrer primeiro para que tudo possa ser claro. Dessa inquietude profunda. De haver. Para além de um escuro céu sereno. O brilho.

* Bernardo Sassetti (3:54) in 'Indigo' - Disco 1

7 comments:

BlahBlahBlah said...

Is it possible to go too far?
Of course, but it is equally possible not to go far enough. Of the two, the former is preferable. If you go too far, you can retreat. If you don't go anywhere you had better hope that the place you are already in is wonderful in every way.

Life is offering you the chance to go a little further. Dont be afraid. Just accept it.

Carlos Azevedo said...

Um belíssimo disco. E novamente (e sempre, presumo) o Kiefer...
Abraço.

Elisa said...

Sim, este disco do Sassetti (bom, todos, na verdade) é belíssimo. Esta música em particular... enfim, acho que tem alguma coisa a ver comigo. Novamente o Kiefer. Mas nem sempre. Beijo

maria said...

Mais um texto excelente, associado a tudo o resto que já não comento, dado o padrão de qualidade a que nos habituaste. Muito sentimento, amiga. Isso sem dúvida alguma.

P.S. Só a título de curiosidade: estou a escrever este comentário, a esta hora tardia, na cidade de Aveiro...

Bjos.

Elisa said...

Maria
Muito obrigada. Mais uma manifestação da tua simpatia. Muito sentimento? Isso não sei, honestamente... pelo menos coisas que sinto.

PS - e ainda que mal pergunte que fazias tu a ler blogs a uma hora tão tardia da noite, em Aveiro?

Beijo

Miguel Costa said...

À noite há mais silêncio.
Mais quietude.
Mais tempo.
Tempo que dura mais tempo.
E mais música.
À noite, se repararem bem, há mais música em cada nota.

Elisa said...

:-) é isso mesmo Miguel. à noite tudo é mais intenso, como tudo, afinal, deveria ser.
beijinhos