7/12/2005

A Love Supreme (Part 1 - Aknowledgement)*


Talvez se ele lhe tivesse tomado a mão, naquela tarde demasiado cheia de mar. Talvez o reconhecesse. A ele. A mão reconheceu-a desde sempre, pela ausência.Lembrou-se do primeiro dia. Do partilhar o sono. E da manhã. Do partilhar o corpo. E do que a pele provocou. Lembrou-se do encontro combinado, nessa manhã, para muitos meses depois, como uma promessa de reconhecimento. Havia lido demasiadas vezes Marguerite Duras. E aquela promessa adiada de reconhecimento pareceu-lhe bem. Como no Verão 80. Sim, nada é original. Não soube se ele identificou a citação.Talvez se ele não lhe tivesse atirado à saída da pele: ‘as tipas inteligentes são tão burras às vezes’… ela acreditasse que só muitos meses depois se reencontrariam. No mesmo sítio. À mesma hora. Era bonito, tudo isto.Mas voltou a vê-lo algumas vezes. A promessa adiada foi-se cumprindo pelas saudades da pele. Antecipadamente. Houve dias em que ele pegou nas mãos dela. Houve outros dias de um insustentável silêncio. Ela lembra-se. Começou a gostar dele.

(to be continued...)

* John Coltrane (7:47) in ‘A Love Supreme’

6 comments:

C.S.A. said...

Só podia ser o Coltrane... do ALS!
Força! Continua.

Elisa said...

:) Obrigada C. O amor não é supremo... de um certo ponto de vista. Mas há momentos em que pode sê-lo e tu sabes isso muito bem.
Bjo

Anonymous said...

"(...)O amor não é supremo... de um certo ponto de vista. Mas há momentos em que pode sê-lo e tu sabes isso muito bem."

Supremo - do latim "supremus", forma superlativa de superus/super, "que está sobre".

Elisa said...

D.
Vai dar banho à enciclopédia. Supremo estará mal escrito? Estará deslocado? É tarde para mudar o nome da música... Paciência! De qualquer modo, agradecida pelo esclarecimento. Como se o desconhecesse!

D. said...

Se "D." é comigo, está Elisa enganada.
Sucede.
____
Deniz

Elisa said...

Ai senhores!
Não me digam que, agora, em vez de um corrector ortográfico e de uma enciclopédia... trenho dois! Bom... eu não mereço tanto, sem dúvida.
Sucede a Elisa enganar-se com muita frequência e ter imensas dúvidas. Mas a Elisa vive com isso muito melhor do que viveria com poucas dúvidas e sem engano algum.