11/23/2006

Find Me In Your Dreams*
















Eu durmo. Mas não sou eu. (Nunca fui eu). Quem (me) sonha. Não sei em que sonhos me encontro. Não sei quem posso ser. Eu durmo. E nada sou.

*Pat Metheny, Brad Mehldau ( 6:10) in 'Metheny/Mehldau'

10 comments:

Alberto said...

Tu és tanto para mim, tantas coisas... mas o que interessa agora é dizer que este post é muito bonito. Este post és tu.

Elisa said...

E também és tu. Porque já me encontrei nos lugares em que tu sonhas. Quando dormia menos e pensava saber quem sou.

ARTEMINORCA said...

O ser e o nada! Que fronteira? O sonho?
Como sempre, gostei! Lu

Elisa said...

Não sei se o sonho é a fronteira entre ser e não se ser... mas creio que quando outros nos sonham, ganhamos uma nova realidade... bom, pelo menos uma dimensão diferente. Não sei. Na verdade.
Obrigada pela visita e pelas palavras.

firvidas said...

Quem serei ao acordar? Porque só nos sonhos encontro a minha realidade....

Elisa said...

nos dos outros? também eu. Nos meus não sei... nunca sonho ou melhor, rarmente me lembro do que sonho. É como se não sonhasse.

Miguel said...

Um belo sono...mas há sonhares acordados tão belos que não apetece...adormecer!

Elisa said...

Miguel
eu acordada nunca sonho. Os sonhos são uma coisa que estraga muito a realidade e esta uma coisa que estraga muito os sonhos. Tenho para mim que são incompatíveis e por isso atenho-me à realidade (à minha). Sou bastante dorminhoca (embora a horas completamente diversas das do comum dos mortais) pelo que... pois... gosto muito de dormir, sendoq ue considero a minha bela cama o lugar mais seguro do universo.

Salsa said...

Eis o que diz um poeta (seu conterrâneo) chamado Mário. Talvez você o conheça:

Escavação

Numa ânsia de ter alguma coisa,
Divago por mim mesmo a procurar,
desço-me todo, em vão, sem nada achar,
Nada tendo, decido-me a criar:
Brando a espada, sou luz harmoniosa
E chama genial que tudo ousa
Unicamente à força de sonhar...
Mas a vitória fulva esvai-se logo...
E cinzas, cinzas só, em vez de fogo...
--- Onde existo que não existo em mim?
......................................................................
Um cemitério falso sem ossadas,
Noites d'amor sem bocas esmagadas -
Tudo outro espasmo que princípio ou fim...

Elisa said...

Isso é que é tratar os poetas por tu, Salsa :-) Evidentemente que conheço Mário de Sá Carneiro. Seria praticamente impossível não conhecer esse melancólico militante, aliás mais que isso... esse desencontrado de si mesmo.