11/29/2007

Poinciana (The Song of The Tree)*


















Piet Mondrian - The Red Tree

A árvore é uma habitação perdida. E encontrada**. As árvores lembram-nos o que seríamos se pudessemos ser durante séculos.
As árvores exigem a nossa lenta reverência**. Com vagar, diante do tronco rugoso, das folhas que rebentam novamente a cada primavera, dos ramos que se tingem de vermelho para depois se despirem, no outono... reconhecemos o quão pequenos somos. E fugazes. As árvores não.
As árvores permanecem majestosas mesmo quando deixarmos de poder reconhecê-las.

* Ahmad Jamal (8:06) in 'The Legendary Ahmad Jamal Trio Live'
** frases de António Ramos Rosa, no poema cada árvore é um ser para ser em nós

Poinciana é uma árvore tropical de folhagem abundante e escarlate ou, outras vezes, laranja. Também pode ser chamada a árvore vermelha.

8 comments:

puraspoesias.com said...

hola de chile te escribo , no hablo protugues , pero es muy parecido, muy buena pintura y buen escrito, y una acotacion, el internet es una ventana , en la que todos queremos mirar, en gral los portugueses , no permiten leer sus blogs de arte. extraños

Elisa said...

Hola
que tal?
Si el castellano es muy parecido al portugués.
Los portugueses no permiten leer sus blogs?? Es una surpresa para mi lo que dices.
Gracias por la visita.

maria m. said...

não gostaria de ser durante séculos... lol
mas o texto afirma essencialmente o quão portentosas são as árvores, é verdade, sim, é verdade que, perante elas, «reconhecemos o quão pequenos somos. E fugazes. As árvores não.»

Elisa said...

Maria
sim, ser durante séculos seria demasiado. Mas as árvores exigem a nossa reverência porque são durante séculos. Devem saber coisas que nós nem sonhamos.

Windtalker said...

Jamal, Mondrian, as árvores, Ramos Rosa...
...este "post" é o equilibrio absoluto...
sublime inspiração, Elisa...

Elisa said...

Windtalker
que bom ver-te a passar por aqui :)

maria carvalhosa said...

Ol� Elisa,
H� tanto tempo que por aqui n�o passava! E que saudades!... das tuas palavras, da brilhante m�sica que sempre as acompanha. Talvez por isso, o texto da �rvore deixou-me comovida. N�o podemos (n�o devemos) deixar envelhecer os troncos e os ramos das �rvores que amamos sem o acompanhamento que a amizade propicia (ainda que os sentimentos l� estejam, intactos). A aus�ncia de contacto cria, inevitavelmente, dificuldades acrescidades em reatar o verbo f�cil, o sorriso c�mplice, a piscadela de olho. Por vezes, quando queremos voltar a faz�-lo, � tarde. E �s vezes � t�o tarde que j� nem chorar conseguimos...

Beijos com carinho.

Elisa said...

Maria
um beijo igualmente carinhoso.