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Prezada Elisa, Baudelaire iniciou um modo especial de fazer poesia: ele elegeu como um dos objetos de seus poemas o povo comum que desfilava pelas ruas parisienses. Ressaltava, assim, suas peculiaridades, mostrando uma beleza que escapava ao olhar de seus contemporâneos. Ele, como um flanêur, circulava por Paris observando as pessoas que, como ele, tinham que "se virar" para sobreviver.Do mesmo modo agia o poeta Cesário Verde, de Lisboa. São olhares que deslocaram o sentido vigente, no século xix, de como um poema deveria ser escrito. Olhar para as ruas e seus habitantes e usar um tipo de linguagem que, aos olhares e ouvidos de seus contemporâneos, poderia parecer e soar como algo grosseiro. Eles conseguiram mostrar o sublime que habita no grotesco. Você, ao fazer o seu "peoplespotting", está, de certo modo, reeditando o trajeto daqueles poetas.
O que está em jogo, Elisa, não é fazer poesia ou sociologia, mas, antes, permitir-se olhar para as pessoas e enveredar-se em seus mistérios (como você destacou). Creio que poetas e sociólogos (os bons) têm isso em comum: estão imersos nessa capacidade de observar. O que fazer com o que daí se recolhe é um outro passo.
14 comments:
Eis a nossa Baudelaire
escapou-me qualquer coisa... qual é a semelhança que me encontras com Charles Baudelaire hein?
:)
:-) Vasco.
beijos
Prezada Elisa,
Baudelaire iniciou um modo especial de fazer poesia: ele elegeu como um dos objetos de seus poemas o povo comum que desfilava pelas ruas parisienses. Ressaltava, assim, suas peculiaridades, mostrando uma beleza que escapava ao olhar de seus contemporâneos. Ele, como um flanêur, circulava por Paris observando as pessoas que, como ele, tinham que "se virar" para sobreviver.Do mesmo modo agia o poeta Cesário Verde, de Lisboa. São olhares que deslocaram o sentido vigente, no século xix, de como um poema deveria ser escrito. Olhar para as ruas e seus habitantes e usar um tipo de linguagem que, aos olhares e ouvidos de seus contemporâneos, poderia parecer e soar como algo grosseiro. Eles conseguiram mostrar o sublime que habita no grotesco. Você, ao fazer o seu "peoplespotting", está, de certo modo, reeditando o trajeto daqueles poetas.
Sim... mas a semelhança é mínima assim mesmo. Eu não faço poesia, faço sociologia, com o meu 'peoplespoting'.
O que está em jogo, Elisa, não é fazer poesia ou sociologia, mas, antes, permitir-se olhar para as pessoas e enveredar-se em seus mistérios (como você destacou). Creio que poetas e sociólogos (os bons) têm isso em comum: estão imersos nessa capacidade de observar. O que fazer com o que daí se recolhe é um outro passo.
Hum... sim, creio que tenho essa capacidade de observação relativamente bem apurada.
:-)
e foi um belo termo, esse que inventou. :-)
prazer em vir aqui, sempre.
:-) também acho sem se ver... ainda que seja mais uma adptação que uma invenção.
O prazer é meu, pelas visitas.
Olá, Elisa.
Eu chamo-lhe tão simplesmente "peoplewatching", mas vai dar ao mesmo.
vou visitando, e gosto do que vejo.
Vai dar ao mesmo, sim Lua.
Visita sempre que queiras.
Obrigada :-)
Querida Elisa,
Essa do "peoplespotting" é genial e só poderia vir de ti, é claro.
Um beijo.
:-) maria... veio de mim mas muito 'colada' ao trainspotting.
Beijos
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