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11/25/2009

Love Me or Leave Me*



















Roy Lichtenstein - Kiss


But kiss me anyway.


* Nina Simone (4:03) in 'Four Women: The Nina Simone Phillips Recordings'

4/22/2007

Beautiful Land*












A Terra vista do espaço, com estrelas


Neste dia, é preciso lembrar que «a terra gira com um ritmo mais verde que o teu passo»**

* Nina Simone (1:58) in 'I Put a Spell on You'

** António Ramos Rosa

9/26/2006

It's All In The Game*














Grafitti numa parede de Portalegre, Agosto de 2006


Diz-me o Carlos que eu sou capaz de dizer seis (mais seis?) coisas sobre mim. Duvido que saiba seis (mais seis?) coisas sobre mim. Ou mesmo que essas seis (mais seis?) coisas sobre mim sejam verdade. Eu sou uma mentira que fala sempre verdade (era Cocteau quem dizia isto?). As verdades são sempre duras...it's all in the game:

1. Gosto de fumar. Muito. Talvez seja certo que morrerei de cancro. E eu tenho medo de morrer. Mas acendo um cigarro e mesmo as coisas que sei de mim me parecem mais suportáveis e por isso sigo Fumando*


* Chano Domínguez (4:03) in 'Iman'

2. Às vezes apaixono-me violentamente pelas pessoas, ainda que, em geral, não goste muito delas. É um pouco triste esta coisa que sei de mim, mas sim I Fall In Love Too Easily (I Fall in Love Too Fast)*


* Chet Baker (3:18) in 'My Funny Valentine'

3. Diz Enrique Vila-Matas quando viajas só, o estranho és sempre tu. Ainda assim estranhamente, gosto muito de viajar. Sózinha. Ou seja, Travelin' All Alone*


* Billie Holiday (2:15) in 'Lady Day'

4. Eu tenho a mania que sou grande, mas na verdade sou muito pequena. E com tendência para a melancolia. Basicamente uma Little Girl Blue*


* Diana Krall (5:38) in 'From This Moment On'

ou (como sempre)

* em versão Nina Simone (4:12 ) in 'Little Girl Blue'

5. Embora às vezes diga nunca mais, eu olho para as coisas a seguir como se fosse sempre a primeira vez e sim, acredito sempre que This Could Be The Start Of Something*


*Oscar Peterson (4:43) in 'Night Train'

6. Eu tenho medo. Mas digo sempre que não. Medo de morrer. Por exemplo. E então eu canto. Canto só para saber que ainda estou viva... ou numa muito melhor versão I Sing Just to Know I Am Alive*


* Nina Simone (1:12 ) in 'My Baby Just Cares for Me'

Em suma, sei seis (mais seis) coisas sobre mim. Sei por exemplo (embora não possa por aqui a música) que Mon coeur est rouge (Keith Jarrett, digamos... em Nápoles, em 1996). E acho que sabendo isso nem seria preciso saber mais nada. Mas (mais) seis coisas são sempre um bom pretexto para ouvir (mais) música.

E agora BlahBlah e tu? TalvezMeEscrevas seis coisas sobre ti?

E agora Luís e tu? Seis coisas da tua Natureza do Mal?


* Keith Jarrett, Jack DeJohnette, Gary Peacock (6:47 ) in 'The-Out-of-Towners

7/11/2006

Feeling Good*















René Magritte - L'Art de Vivre

O sol na cabeça. Ter o sol. Na cabeça. Ou a cabeça no sol. De qualquer modo, viajar muito alto. Muito longe. Na cabeça. Com o sol. Sinto-me tão bem. Tão viva. Tão despojada das minhas costumeiras angústias que me apetece gostar do sol. Ter a cabeça no sol. Ou o sol na cabeça. Até queimar o passado todo. O passado que está morto. Que já passou. Que já não interessa. Só o sol. E a viagem. O momento da viagem. Ou cada momento da viagem. Muito alto. Muito longe. Interessa. Não o passado. Ou o futuro. Talvez nem o presente interesse. Apenas a sensação de estar viva. De escrever ao sol. Na cabeça.

* Nina Simone (2:54) in 'Feeling Good'

6/14/2006

Just Say I Love Him*















Paul Klee - Remembrance of a Garden

Quero dizer que o amo. Ainda. Não me custa amá-lo. Ainda. Nem não o ter. Como o tive. Completamente nu. Evidente. Não dele. Mas meu. Quero dizer que o amo. Ainda. A sua nudez. A sua evidência. Não me custa amá-lo. Apesar de não ser já meu. Não me custa amá-lo. Apesar de o ter deixado ir embora. Já tão vestido. Amo-o. Chove. E eu preciso dele. Apesar de já não o ter. Não me custa precisar dele. Chove. E eu preciso dele. Como as flores precisam da água que não nasce da terra, mas do céu. Quero dizer que o amo. Agora. Que ele caminha por outra cidade. Outra estrada. E já não é meu. Alguém o há-de ter. Como eu o tive. Alguém o verá dormir. Como um menino. Respirar. Como qualquer pessoa. Alguém o terá. Evidente. Nu. Sem ser dele. Mas quero dizer. Assim mesmo. Que o amo. Que preciso dele. Como as flores precisam da chuva. Quero dizer que me lembro. Do jardim que nascia nos seus olhos. Chove. Ninguém lhe dirá. Nem eu. Que ainda o amo. Porque não importa.

* Nina Simone (6:35) in 'Forbidden Fruit'

5/15/2006

I Get Along Without You Very Well (Except Sometimes)*



Claro que vou andando. Muito bem. Bom, pelo menos o melhor possível. Excepto quando de repente o meu dedo indicador sente a falta das tuas sobrancelhas. Ou a minha língua pressente a ausência das tuas pestanas. Mas claro que vou andando. Muito bem. Ou pelo menos o melhor que posso. Excepto. Quando. Sem mais nem menos. Me esqueço de respirar. Porque me falta. O teu ar. Mas claro. Vou andando. Muito. Bem. Pelo menos. O melhor. Possível. Excepto quando toca o telefone. E não é a tua voz. Claro. Tal como disse. Vou andando sem ti. Muito bem. A menos que a manhã me lembre a ausência da tua cara na almofada. Ou o apito do comboio me revele a inutilidade de continuar na estação. Mas sim. Vou andando. Muito bem. Sem ti. Excepto às vezes. Mais concretamente quando murmuro. 'Amo-te'. E é apenas o silêncio. Dentro de mim. Que me responde. Mas então. Talvez eu deva. Não mais. Murmurar. Nunca. Nada.

* Nina Simone (4:56) in 'Nina Simone and Piano'

«I get along without you very well / Of course, I do / Except when soft rains fall / And drip from leaves then I recall / The thrill of being sheltered / In your arms / Of course, I do / But I get along without you very well / I’ve forgotten you / Just like I said I would /Of course, I have / Or maybe except when I hear your name / Someone’s laugh that’s just the same / I’ve forgotten you just like I should / What a guy / What a fool am I/ To think my aching hearth / Could keep the moon / What’s in store/ Should I phone once more /No, no, no, no, no / It’s best that I stick to my tune / I said that I get along / Without you very well / Of course, I do / Except perhaps in spring / But then I should never /Ever think of spring /For that would /Surely break my heart in two»

4/18/2006

Il N'Y A Pas D'Amour Heureux*













Il est déjà trop tard. Pour moi. Trop tard pour t'aimer comme t'as besoin d'être aimé. Je suis désolée. Je ne sais pas quoi faire. On dit que l'amour suffit pour faire tourner le monde. L'amour ou... disons... un tournesol. Mais l'amour il ne suffit pas. Et tu le sais. Le monde est grand et moi... moi je suis trop petite. Pour toi. Pour tout ce qui tu veux de moi. Du monde. De l'amour. De la vie. Moi... j'ai rêvé qui je voudrait exactement la même chose. Mais il était un mensonge. Je suis pas capable de t’aimer comme tu mérites. Je suis pas capable de faire partie de la religion du tournesol. Je parts. Et, en partant, je sais qui je t’aime. Et qui tu… toi aussi… tu m’aimes. Mais. Il y est trop tard pour moi. Pour t’aimer. Pour avoir un amour heureux. Je n’ai pas du temps. Et surtout je n’ai pas du talent.

*Nina Simone (6:25) in 'A Single Woman'

12/05/2005

I Put a Spell on You*













Houve um tempo em que eu era capaz de mexer na luz. Agora abro os olhos e nunca encontro nada. Há esta escuridão. Que invadiu tudo. Houve um tempo em que, mesmo sem te tocar, te desfazias na luz. Eras a ideia. A casa. A pessoa. O lugar. O nome. Para as coisas. Para a vida. Estavas nas minhas mãos. Como eu nas tuas. Abertas sempre. Houve um tempo em que acendias a luz. Só para ver se eu ainda estava lá. Confirmavas-me. Houve um tempo em que pusemos feitiços nas mãos um do outro. Depois apagámos a luz. Guardámos a magia nos bolsos. E esquecemo-nos. E eu. Há dias destes. E eu. Não sei ainda o que faço aqui. Com esta luz nas mãos. Sem as tuas.

* Nina Simone (2:38) in 'Nina Simone's Finest Hour'

8/01/2005

Everytime We Say Goodbye*



Tenho dificuldade em dizer. Adeus. Ou outra palavra qualquer que seja o anúncio de uma despedida. Mesmo que a ausência dure só uns minutos. Umas horas. Ou uns anos. Ou todo o tempo que nos resta. Mesmo que a despedida seja uma promessa de que amanhã nos encontraremos. Ou encontraremos seja o que for de que agora nos despedimos. Em cada despedida há alguém que morre. Tantas coisas que ficaram por dizer. Mesmo pequenas. Mesmo pouco importantes. Em cada despedida há um universo paralelo de possibilidades de se ser e de se estar se, só por acaso, a despedida não o fosse. Qualquer coisa que atraiçoa a celebração do reencontro. Qualquer coisa que mata as palavras. Que nos deixa em silêncio. Sozinhos.
Sozinhos.
Mas não no silêncio e na solidão que procuramos. Mas na solidão e no silêncio que não queremos encontrar e nos colocam mais longe uns dos outros. E, sobretudo, de nós e do que fomos nós com os outros. Dizer adeus é a evidência de que se esteve em algum lugar e temos que ir embora. E quando vamos embora deixamos de estar e de ser. Não somos. Não estamos.

* Nina Simone (3:27) in ‘Forbidden Fruit’.

E porque são incontornáveis, violentamente femininas, estas vozes e palavras e despedidas, escolho também as versões de:
Betty Carter (5:48 ) in 'Whatever Happened to Love'


Sarah Vaughan (2:23) in 'After Hours'


Carmen McRae (3:00) in 'Carmen McRae Sings Great American Songwriters'



E porque também se diz adeus, sem palavras, escolho a versão de
Charlie Haden (4:18) in ‘Haunted Heart’

7/19/2005

Don't Explain*



É a tua música preferida. Qualquer que seja a versão. E há demasiadas versões para esta música.
Quase tantas como as versões que existem para a traição. Para as múltiplas traições. A começar para o modo como, no amor, nos traímos tantas e tantas vezes a nós mesmos. Quase tantas como as diversas vezes em que nos perdoamos as mentiras pequenas. Menos do que as vezes em que tentamos perdoar as verdades que magoam. As nossas. E as dos outros. É a tua música preferida. Não consegui nunca compreender porquê.
Mas lembro-me de um dia em que me falavas desta música, das suas tantas versões e do modo como e porquê gostavas tanto de todas elas. Eu comecei a chorar. Disse-te uma das verdades. Das minhas. Daquelas que, pensei eu, nos magoam.
Tu continuaste a sorrir. Pegaste-me na mão e disseste-me que não te explicasse nada. Que cada um de nós era livre. Para ir e voltar. Para partir se tivesse mesmo que ser. Não expliques nada. Disseste. Estou aqui para sempre. E estiveste. E estás. Explico-te sempre. Explicas-me sempre. Mas é como se nunca o fizessemos.
Porque somos livres. Dizemos. Ficamos contentes quando um de nós regressa dos sítios e das pessoas onde esteve. Ficaríamos do mesmo modo, se algum de nós, não soubesse já regressar?
Não me respondas. Por uma vez, não me expliques... «quiet baby, don't explain...».

* Escolhi a versão de Joel Frahm (com Brad Mehldau) (3:21) in ‘Don’t Explain’

Mas porque não podes (ou eu) passar sem as outras, aqui ficam também algumas delas,
começando por uma das muitas versões da autora:

Billie Holliday (2:33 ) in 'The Billie Holiday Songbook'

Sonny Rollins (com Abbey Lincoln) (6:38) in 'The Freelance Years: The Complete Riverside and Contemporary Recordings' (Disco 4)

Nina Simone (4:14) in 'Feeling Good'