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12/30/2008

What a Difference a Day Makes*















Henri Matisse - Cirque


De um dia para o outro. Bom Ano. Com diferenças. Se for isso que desejam.

* Dinah Washington (2:30) in 'What a Difference a Day Makes'

12/02/2008

Jump for Joy*















Henri Matisse - Joie de Vivre

... pelo dardo do Dançamos no Mundo.


Sarah Vaughan (1:54) in 'The Roulette Years'

10/18/2006

Speak Low*






Henri Matisse - La Nageuse dans l'Aquarium, quadro XII da série Jazz


Fala-me baixo. De dentro da caixa. No meio da água. Que o sangue mancha. Não te ouço. Fala-me. Mais. Baixo. Mas não deixes de falar. Como se eu te pudesse ouvir. Dentro do sangue. Que a água mancha. Sou um mergulhador solitário. Como todos. As profundezas do sangue deixam-nos sós. Tão sós como quando estamos fora da água. Fala-me baixo. E devagar. Como se pudesses estancar a água. Como se pudesses transferir todo o sangue que foi gasto a viver muito devagar. Com muita pressa. Fala-me baixo. Enquanto eu mergulho mais. Enquanto dou umas voltas mais dentro da caixa. Como se fosse à vida. Enquanto subo para respirar. Fora do sangue. Enquanto abro a boca, para te ouvir. Falar(me) baixo. Antes de regressar à água que o sangue mancha. Dentro da caixa. Que. Às vezes. Se parece com a vida.

* Chano Domínguez (6:18) in 'Con Alma'

7/16/2006

Mediolistic*














Henri Matisse - Icarus - quadro VIII da série Jazz

Afinal. O que importa é a música. O jazz. O azul. Noite. As estrelas. Dançar, mesmo que se não saiba. E o coração no lugar certo. Não desfeito. Não nas mãos. Mas dentro do peito. O coração que é apenas o coração. Não uma qualquer metáfora para devaneios da cabeça. O coração que faz a sua parte. Bombear o sangue. Bater para viver o que importa. A música. O jazz. A noite. O azul. As estrelas. E as palavras.

*Al Cohn & Zoot Sims (3:29) in 'From A to Z'

5/31/2006

Salt Peanuts*








Henri Matisse - Le Lanceur de Couteaux - quadro XV da série Jazz

Recolhimento parece ser a palavra chave para chegar ao céu. Recolhimento. Recato. Vergonha na cara. E na ponta dos dedos. As misérias pequeninas que vivemos não se expõem assim como roupa a pingar no arame. Sobretudo se a roupa estiver rota. Ou muito mal lavada. Não se expõem assim. Nem as misérias. Nem as felicidades. Nem as paixões. Nem a morte. Nem a vida, afinal, se expôe assim. Para se chegar ao céu. De alguns. Parece que o sofrimento exige silêncio. O amor implora contenção de palavras. E a vida só pode ser vivida segundo apurados princípios que não entendo. Até desconheço. Não sou mulher recatada. Nem recolhida. Faço um barulho do caraças por tudo e por nada. Não acho que a dor, ou o seu contrário, sejam tão nossas que não possam ser ditas. Isso deve fazer de mim uma péssima pessoa. Então sou. Essa pessoa péssima. Que ouve, por exemplo, esta música. E, ao mesmo tempo, tem o descaramento. A pouca-vergonha. De sofrer. E de dizer. Que sofre. Ou que ama. Ou que se apaixona. Ou que já não ama. Ou que se enganou ou a enganaram. Ou.
Sei que nada do que aqui se escreve - dor, misérias pequeninas, amores, desamores, paixões e vida - tem qualquer interesse.
Se alguma coisa tem interesse neste lugar não são as palavras. Mas a música.
De qualquer modo eu não acredito no céu
(a menos que o céu seja um lugar onde ninguém tenha morrido, onde se ouça sempre jazz, onde se possa beber uma guinness sossegadamente e onde ofereçam amendoins salgados).

* Bud Powell, Dizzie Gillespie, Charlie Parker, The Quintet, Max Roach (3:13) in 'Jazz at Massey Hall'

5/23/2006

I Mean You*







H. Matisse - Le Destin - quadro XVI da série Jazz


Sou descrente no destino. No futuro traçado. Nas decisões tomadas como inabaláveis. Mas, por uma vez, gostaria de acreditar no destino. No futuro. Para ter a certeza. Para tomar a decisão. Inabalável. Para saber. Que estarás lá. Ou que estarás aqui. Ainda. Gostaria que este momento passasse depressa. E que o futuro não fosse assim um lugar tão longe. E tão inviolável. Por uma vez gostava de acreditar no destino. E nessas coisas assim. Para me desresponsabilizar do que foi feito. Do que foi dito. De todas as palavras que trocámos como se fossem animais selvagens em luta por um território. Por uma vez. Gostava de acreditar no destino. Para saber. Que mais tarde ou mais cedo. Uma esquina nos servirá de encontro. E que em ti haverá ainda qualquer coisa que me chama. Acreditar. Uma vez só. No futuro. E que um breve olhar nos devolverá ao princípio do que tem agora fim. Por um momento. Acreditar. Que as palavras que atirámos não foram pedras. Mas setas ao coração do silêncio. Ou da solidão. Por uma vez gostava que o destino estivesse traçado. Que houvesse um mapa do futuro. E que todas as estradas nos reconduzissem à primeira vez em que estivemos um no outro. Diluídos. Reencontrados. Sossegados.

*Art Blakey & The Jazz Messengers with Thelonious Monk (7:58) in 'Art Blakey's Jazz Messengers With Thelonious Monk'