7/07/2005

River Man*



















Pablo Picasso -L'Étreinte

Tu és o homem. O homem mais mulher que eu conheço. Ou seja. A pessoa.
Tu és a pessoa.
Amo-te com a força de um abraço. Reconhecemo-nos mutuamente no meio da chuva. Identificamos os nossos passos em cada edíficio que tomba atrás de nós. Sabemo-nos de cor. As mortes diárias. As vidas que fazemos. As palavras. E, todavia, é como se fosse sempre tudo pela-primeira-vez. E repetimos tudo como se fosse sempre a-primeira-vez.
Teremos oitenta anos. Continuaremos vida dentro. A conhecer-nos. A saber-nos de cor. Sempre com os braços estendidos à procura do que temos um do outro.
Podia dizer-te a palavra amigo. Mas escolho para ti a palavra música. E ainda a palavra homem. E a palavra rio. E claramente a palavra P o n t e.

Para F.

* Brad Mehldau (8:58) in ‘Live in Tokyo’

9 comments:

  1. Em crescendo... até que homem e amigo se (con)fundem com a música, com música. Com Brad M. e aquele quadro maravilhoso de Picasso. Que mais? Fabuloso!

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  2. oh Elisa, (gosto muito do seu nome sabia?) escreve.descreve-se tão bem....que inveja (:)). é um prazer quase "telúrico-celestial" lê-la....obrigado.

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  3. Anonymous9:45 AM

    "Tu és o homem. O homem mais mulher que eu conheço"

    Ou também:
    Pablo Picasso às mãos de Elisa...

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  4. Um sorriso. Apesar de triste.

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  5. I.
    Eu também gosto deste meu petit nom. Do nome mesmo, não gosto tanto. Mas é irrelevante. Petit ou nom... é só um nome. :)

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  6. Anonymous3:22 PM

    Tu sabes. Tu és uma das minhas pontes significativas com o mundo. Tu escreves-me com a ternura de um olhar generoso e estar perto de ti significa, quase sempre, estar mais perto do meu verdadeiro eu. É um tempo em que sou mais belo.

    Obrigado E.

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  7. sinto-me voyeur de uma beleza tamanha! mas por ser tanta permite a compartilha, a presença. obrigado, elisa.

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  8. JPN
    Nada de te sentires assim, Aliás, apontas as razões todas para que não te sintas voyeur aqui.
    Obrigada eu.

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